Turismo e culturas

7 11 2009

Um dos benefícios que a atividade turística pode trazer é o diálogo entre culturas, contribuindo para a construção de uma cultura de paz. A partir do momento em que eu passo a conhecer melhor o outro, passo a respeitar o seu modo de ser por mais diferente que seja do meu. No diálogo entre cultura e turismo é essencial não somente trabalhar as comunidades receptoras, mas também se preocupar com a educação dos visitantes, especialmente quando a atividade turística está deixando de ser passiva, observadora, para ser ativa, experimentadora. O diálogo da cultura com o turismo é essencial para minimizar os impactos negativos e potencializar os positivos. Especial cuidado deve ser tido em relação à construção de falsos símbolos, para agradar ao turista, se na preocupação em não perder os recursos advindos do turismo as comunidades passarem a se adaptar cada vez mais àquilo que os visitantes querem deixarão de ser elas próprias para serem um pastiche daquilo que um dia foram, estando muito longe ainda de serem aquilo que os visitantes são, ainda que à eles se assemelhem.





Turismo: Consagração da Diversidade

26 09 2009
Turismo: Consagração da Diversidade

Turismo: Consagração da Diversidade


Há 30 anos a Organização Mundial do Turismo instituiu o 27 de setembro como o Dia Mundial do Turismo, a cada ano os eventos giram em torno de um tema. Se em 2008 fomos convidados a “Responder aos Desafios das Mudanças Climáticas” (Responding to the Challenge of Climate Change), em 2009 nos é oferecido a oportunidade de celebrar a Diversidade (Tourism: Celebrating Diversity).
Esta diversidade não deve ser compreendida tão somente como a diversidade cultural e natural que faz com que cada destino seja diferente do outro, mas também a diversidade de olhares, a qual permite que cada turista veja de maneira única o lugar visitado.
Um olhar diverso sobre o outro (destino, paisagem cultura, pessoas), é catalizador para a cultura de paz, somos diferentes e diversos, mas somos membros da mesma humanidade, e assim o turismo contribui, para a abertura das fronteiras, ainda que nas fronteiras físicas se exijam os vistos e passaportes.
A diversidade natural e cultural motiva o turismo, e este traz como benefícios o desenvolvimento social, a redução da pobreza, e, para assegurar a continuidade dos benefícios, a preservação da própria diversidade.
Preservar esta diversidade, lutar contra construção de não lugares, contra a clonagem de festas e eventos, é a garantia que o turismo continuará vivo, pois se todos os lugares se parecerem, se todas as culturas se pasteurizarem, não haverá motivo para fazer turismo, pois o outro lugar também passará a ser onde já estamos.
Imagem daqui: http://www.redbubble.com/people/jameslillis/clothing/1294869-2-celebrate-diversity-smurf-style

Imagem daqui: http://www.redbubble.com/people/jameslillis/clothing/1294869-2-celebrate-diversity-smurf-style





MAIS QUE UM CASTELO DE CARTAS, UM HOTEL

20 09 2009

Quando você pensa que já viu tudo em matéria de esquisitice na construção de hotéis, o IHG se supera, e lançou no último dia 18 de setembro, em Nova York, um hotel feito inteiramente de cartões magnéticos (key cards), da recepção ao banheiro tudo foi construído com cartões plásticos, a bem da verdade com 37 m² de área construída o Holiday Inn Key Card Hotel, isto mesmo Holliday Inn, resume-se à recepção e a um quarto, e não é propriamente um hotel, mas sim uma maneira que a rede encontrou de relançar a marca em grande estilo.
O Hotel foi construído por Bryan Berg, recordista mundial em construção de Castelo de Cartas (se não fosse pelo IHG morreríamos sem saber que existia esta categoria), que usou 200.000 cartões magnéticos.
Até o dia 21 de setembro o “hotel” estará aberto ao público e durante este período Bryan Berg estará trabalhando no lobby para erguer uma réplica do Empire State Building, com 3m de altura.





Olá! Está me ouvindo?

4 09 2009

Como dizer olá a quem não entende olá? O Ministério do Turismo acha que tem a resposta e lança um grande programa de qualificação em idiomas para os trabalhador do turismo, não raro órgãos estaduais e municipais de turismo também promovem cursos rápidos de inglês ou espanhol instrumental, seja lá que variante do idioma isto for, para estes mesmos profissionais. No caso do MTur a ação visa a Copa do Mundo de 2014, nos demais casos o alvo são os turistas estrangeiros, mesmo que raros em alguns destinos, que aportam por aqui ao longo do ano.
LIBRASWCO_024
Mas com é que dizemos olá a quem não entende olá? Não porque fale um dialeto arcaico, até porque esta pessoa é brasileira e se comunica utilizado a língua que desde a edição da lei nº 10.436/2002 foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão, algo como uma segunda língua oficial do Brasil. Pois é o turismo ainda não descobriu que há uma grande comunidade de brasileiros que não fala português, mas utiliza a LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) para se comunicar. Se eles são surdos o setor turístico é cego a estes milhões de brasileiros, há números os mais diversos sobre a real quantidade.
Hoje a integração da pessoa com deficiência motora já é algo comum, muito mais pela força da legislação imobiliária que propriamente por uma opção de mercado. A atenção aos cegos já se está iniciando, principalmente em restaurantes que disponibilizam cardápios em braile, e mesmo em algumas cidades, a exemplo de Aracaju, onde o piso tátil está se tornando comum, entretanto quando é que o turismo vai passar a integrar os deficientes auditivos?
É hora de se enxergar os sinais desse público.





Turismo em tempos de cópia.

27 08 2009

Sabem aquela sensação conhecida com dèjá vu? ela está cada vez mais frequente no turismo, é cada vez mais do mesmo. Se deu certo em um lugar vamos fazer o mesmo por aqui. Quantas vezes não vimos projetos serem lançados como a Cancun de “Deus-sabe-onde”, e cá entre nós para que repetir Cancun se hoje os próprios mexicanos se penitenciam dos pecados cometidos fazendo com que os novos projetos da Riviera Maya sejam mais sustentáveis.

Esfínge e piramide em pleno deserto...de Nevada (EUA)

Esfínge e piramide em pleno deserto...de Nevada (EUA)


E é por esta onda do control+C Control+V que assola os projetos(?) turísticos mundo afora que os não lugares acabam se multiplicando e as fotos perdidas nos HD’s tornam-se memórias irrecuperáveis, porquanto não somos capazes de, pelas características do entorno, reconhecer tal e qual paisagem. Dos jardins composto de plantas proveniente de todas as dimensões da galaxia à arquitetura tudo remete a qualquer lugar, menos ao lugar onde realmente se esteve.
Mas não basta copiar a arquitetura o paisagismo, agora deu-se para copiar os eventos, a parada gay faz sucesso para o turismo em São Paulo, então por que não copiar o modelo, não para ser algo espontâneo para celebrar a diversidade sexual, mas sim como um produto turístico, e o que falar das micaretas ou carnavais fora-de-época que pipocam Brasil afora com as mesmas bandas e abadás franquiados, muitas vezes custeadas pelo meu, pelo seu, pelo nosso dinheirinho regiamente repassado através do Mtur para o município que não tem um simples atrativo trabalhado e que anualmente recebe uma centena de visitantes da capital, pessoas que por vários interesses acompanham o/a filho(a) pródigo(a) que à terra natal retorna para cumprir o ritual anual de visitar os pais em uma destas festas em que a família tem que estar reunida.
New York, New York

New York, New York


Veneza americana

Veneza americana





O hotel é mais embaixo.

20 08 2009

Observem este buraco mais embaixo, ou melhor esta cratera, é o resultado de anos de exploração mineral, fica em Songjiang, próximo a Shangai, na China.

Cratera em Songjiang - imagem  urbanity.es

Cratera em Songjiang - imagem urbanity.es


Pois é, empresários locais resolveram fazer algo útil neste terreno(?), claro que o aproveitamento de pedreiras abandonadas não é nenhuma novidade, mas o inusitado é que os chineses queriam, e querem, jogar os turistas neste buraco, e quem tiver condições certamente vai querer ir, ao menos por curiosidade. Para isto abriram um concurso para construir um hotel, isto mesmo um hotel, aproveitando o terreno(????!!!),
Imagem © Atkins Architects -

Imagem © Atkins Architects -


O Songjiang Hotel será um cinco estrelas com características muito particulares sendo parte do Shanghai Shimao Wonderland, um projeto que é ao mesmo tempo parque temático, resort, centro comercial e de entretenimento, a área total do projeto é de 428.200 m², com uma área construída de 550.000 m².
O vencedor do concurso para a construção do hotel foi o Escritório de Arquitetura Atkins, com uma proposta inovadora, inspirada na água que atualmente preenche o fundo do buraco, nos barrancos e na natureza ao redor, cujo ponto de destaque é a estrutura em vidro que simula uma cachoeira desaguando na cratera de 100 metros de profundidade.
O hotel é a ancora do projeto, serão 400 apartamentos distribuídos por 18 andares, 17 deles abaixo do nível do solo, ou seja dentro da cratera, contando com facilidades tais como piscina termal, restaurante e café subaquáticos. O centro de experiências oferece atrações internas e externas, tais como esportes aquáticos e um shopping center. Também faz parte do hotel um centro de convenções para 1000 pessoas.
A perspectiva noturna é impressionante - Imagem © Atkins Architects

A perspectiva noturna é impressionante - Imagem © Atkins Architects


Entretanto a sustentabilidade é o ponto alto do projeto, indo desde a utilização de telhados verdes ao aproveitamento da energia geotermal, sem contar a forma engenhosa de aproveitamento do que foi um desastre causado a bem do chamado progresso.
A construção se mimetiza com o ambiente -© Atkins Architects

A construção se mimetiza com o ambiente -© Atkins Architects


A previsão de inauguração é para o final de 2010.





Alexandra Hotel

3 08 2009

Para quem já está de malas arrumadas rumo à África do Sul para acompanhar a Copa do Mundo e ainda não tem hotel, aí vai uma dica quente, o Alexandra Hotel. Pela fachada perceber-se logo que é um hotel design, localizado em uma rua tranquila. Infelizmente não temos nenhuma informação sobre reservas e até mesmo a localização é um pouco imprecisa, talvez esteja em Soweto, mas se ficou interessado procure o seu agente de viagens.

A rua é tranquila

A rua é tranquila


Ampla varanda

Ampla varanda


Natureza e arte se complementam na ambientação

Natureza e arte se complementam na ambientação


Imagens originalmente postadas em: http://ajanlo.kapu.hu/pics.php?d=alexandrahotel





O melhor do pior no turismo

3 08 2009

De volta às origens

De volta às origens


Quem quer se prevenir de “roubada” no mundo do turismo agora já tem onde encontrar dicas sobre os piores do turismo. O Titanic Awards pretende escolher o que de pior há na industria turística em categorias como: meios de hospedagem, viagens terrestres, viagens marítimas, viagens aéreas, alimentação e banheiros.
Qualquer viajante pode fazer as suas indicações para qualquer uma das categorias, algumas parecem até piada, como uma indicada para o pior pedido a um agente de viagem, uma reserva para um cachorro da raça Chihuahua, cujos donos são de Nova Iorque, fazer uma viagem até Chihuahua no México a fim de que o cachorro conheça as suas origens.





A Copa começa pelos quartos

29 07 2009

Várias cidades brasileiras, e não só as 12 que serão sede, esperam ansiosamente a chegada de 2014 na esperança dos lucros que advirão do turismo proporcionado pela Copa do Mundo. Algumas, a exemplo de Aracaju, já saíram à frente anunciando a reforma, ou até mesmo construção, de um estádio de futebol, para que assim possa melhor se candidatar a hospedar algum selecionado nacional para fazer uma pré-temporada, ou mesmo utilizar a cidade como sub sede para facilitar os deslocamentos entre duas sede próximas, falta combinar com as federações nacionais esta logística.
Mas será que basta só reformar um estádio, muitas vezes sem observar todos os rígidos critérios de acessibilidade (avenidas circundantes), segurança (o que inclui um rápido escoamento do público e automóveis) e estrutura de transportes públicos? A resposta é não. É necessário desenvolver e ampliar a infraestrutura da cidade, especialmente no tocante à estrutura viária, transportes públicos, aeroporto, e principalmente ampliar a capacidade de hospedagem, que alguns tendem a minimizar porque se pode utilizar um esquema de “cama e café”, entretanto mesmo para isto se exigirá um planejamento.
Colocando em termos práticos, suponhamos que Futebolandia, nossa cidade candidata, disponha de 7 mil leitos, e normalmente no mês de junho tenha uma taxa de ocupação média em torno de 60%, isto significa que ela terá uma disponibilidade média de 2.800 leitos dia, isto é se cada pessoa ficasse somente um dia no destino, mas não é assim, então imaginemos que a taxa média de permanência seja de 2,5 dias, isto significa que a nossa cidade somente contará com pouco mais de 1700 leitos livres por dia, entretanto se considerarmos que na época do Mundial, caso esta cidade venha a hospedar alguma seleção, a taxa média de permanência poderá aumentar, reduzindo proporcionalmente o número de leitos disponíveis.
E o que teríamos que fazer, além de ter um estádio adequado às normas da Fifa, ou um resort com boas instalações desportivas, para Futebolândia reforce as suas pretensões de receber algum selecionado nacional? A resposta obvia é ampliar a capacidade de hospedagem, então considerando que em média o coronograma para a implantação de um novo hotel de médio e grande porte implica em seis meses para o projeto, dois anos para o licenciamentos e, a depender do tamanho, em torno de 18 meses para a construção esta cidade tem menos de uma ano para providenciar a ampliação de sua rede hoteleira. É lógico que os prazos variam para mais ou para menos dependendo da disponibilidade de lotes urbanos, o que facilita o licenciamento ambiental, da capacidade financeira dos investidores, facilitando ou diminuindo a necessidade do acesso aos créditos bancários.
Restam 4 anos e 9 meses para que as seleções comecem a chegar para a Copa do Mundo de 2014, o jogo já começou e não haverá prorrogação. Antes que alguém comente não adianta comparar com copas disputadas na Europa, onde as cidades, além de próximas são interligadas por uma eficiente estrutura de transportes e rodovias.
Então não vamos esquecer que o planejamento da Copa do Mundo deve começar pelos quartos de hotel.





El Museo como espacio de turismo

20 07 2009

Artigo originalmente publicado em espanhol na Revista Anaconda que é publicada em Quito, Equador.

Para el ICOM (Consejo Internacional de Museos ) “un museo es una institución de carácter permanente y no lucrativo al servicio de la sociedad y su desarrollo, abierta al público que exhibe, conserva, investiga, comunica y adquiere, con fines de estudio, educación y disfrute, la evidencia material de la gente y su medio ambiente.” Pero para la gente común museo es sinónimo de cosas viejas, en Brasil, cuando alguien comienza a hablar de sus hechos se dice “quienes vive de pasado es museo.
Los prejuicios y hasta el rechazo contra los museos, muchos no saben que hay museos de ciencias que miran también hacia el futuro, puede tener las mismas raíces que el rechazo a los libros, en la escuelas, cuando leer o visitar un museo es una tarea, y no parte del proceso educativo .
El ICOM establece la educación como uno de los fines del museo, pero, también el disfrute. O sea un museo hay que ser educativo y placentero. Pero ¿como puede ser placentera la visita a un sitio donde hay mas letreros con NO que informaciones sobre las obras? Aunque esta realidad esté cambiando, la grande parte de los museos todavía siguen un modelo europeo anterior a los cambios iniciados en la década de 60 del siglo pasado.
Muchos pueblos y ciudades se enorgullan de su museo que cuentan, en objetos que carecen de los simples cuidados, su historia, son objetos comunes, mucho de los cuales todavía pueden ser encontrados en uso en las haciendas o ranchos de la región, y hasta sendo vendido en el mercado local. Pero mismo en esos museos, colgado en la pared al lado de la reproducción de fotos están los cartelitos de prohibido fotografiar, filmar y comer, y como en ellos no hay una tienda o folletos no hay otra manera de tener un recuerdo de ese museo que tener una buena memoria.
Es verdad que gran parte de los equívocos esta asociada al facto que muchos museos nacen y funcionan sin la orientación de un museólogo, que es el profesional que se ocupa del estudio de la historia de los museos, de su sistema específico de investigación, documentación, selección, educación y, en general, de su organización interna, así como de la relaciones de la institución en su contexto social y cultural; y más raro aún los que cuentan con un museógrafo, que ponen en practica la teoría de la museografia, planeando las instalaciones del museo y sus exposiciones buscando la mejor estética para comunicarse con el publico.
Dos palabras de orden direccionan la sociedad actual, conocimiento y experiencia, la primera es aquello que Alvin Toffler llamó de la tercera ola, mientras que la experiencia que hoy sirve como adjetivo a todo — Marketing de Experiencia, Turismo de Experiencia, etc. — fue planteada para la economía por Joseph Pine – James H. Gilmore en el libro The Experience Economy.
Los museos son espacios naturales para ofertar conocimiento y experiencia, pero ¿lo saben hacer?
Los que mejor saben hacer eso son aquellos que nadie mas lo llama de museo, o sean son aquellos que supieron desacralizarse, dejar de ser catedrales, que la gente lo conoce y reconoce por un nombre sencillo, Louvre, MoMA, Guggenheim, Reina Sofia, entre esos grande el Museo del Prado es una excepción, pues no puede disociarse de la palabra museo.
Por que hay museos que son un éxito de publico y otros no, aunque muy bien organizado museologicamente y museograficamente? Porque saben trabajar la oferta educativa como una experiencia. Esa experiencia tanto puede ser dejar de ser un espectador para ser parte, como hacer parte de todo un escenario. Ir al Louvre a ver la Monalisa es toda una experiencia, aunque que la obra esté distante del suelo y con una barrera de docenas de japoneses con sus cameras fotograficas.
Para muchos del área cultural, museologos incluidos, los turistas son, con sus maquinas fotográficas, su comentarios en voz alta, violadores del templo sagrado, y asi nada hacen para atraer turistas, y los raros que llegaran lo harán porque son “gente civilizada” que verdaderamente aprecia la cultura. Esas mismas personan sonrien de oreja a oreja cuando llegan al museos los autobuses atestados de estudiantes que bulliciosos se detienen a la puerta del templo para oír las reglas de la visitación: Nada de galletas, nada de fotos, nada de tocar, nada de hablar, nada de eso, nada de aquello, y así seguirá museo adentro, cuadernos y bolígrafos en las manos la triste caravana, pero eso es educación, para eso esta el museo, aunque propiamente no esté listo para atender a los estudiantes.
Y a los turistas no se puede educar? Muchos historiadores del arte no les gusta las llamadas megaexposiciones que la gente venga desde lejos a formar filas kilometricas para ver Rodin, por ejemplo. Para esos profesionales de la cultura ir a un museo para ver solamente una obra maestra es una idea absurda. Porque uno va a la Galleria dell’Accademia. en Florencia? para ver a el David de Michelangelo. Aunque exista allá otras obras del maestro, a esos turistas solo interesa al David, la visión de la escultura casi humana es para ellos una experiencia enriquecedora, para ellos no es necesario el todo, solo una parte para comprender el todo. Raciocinan como Gegorio de Matos, un poeta seiscentista brasileño, en su obra “Ao braço do Mesmo Menino Jesus Quando Appareceo (Al brazo del mismo niño Jesús cuando apareció)
“O todo sem a parte não é todo,(El todo sin la parte nos es todo,)
A parte sem o todo não é parte, (La parte sin el todo nos es parte,)
Mas se a parte faz o todo sendo parte, (Pero se la parte hace el todo sendo parte,)
Não se diga, que é parte sendo todo.” (No se diga que es parte sendo todo”)

Aunque para el ICOM “un museo es una institución de carácter permanente y no lucrativo”, ellos necesitan de dinero para mantenerse, y muchos reclaman los dineros del turismo, aunque no necesariamente de los turistas, pues a estos lo quieren lejos. Los museos necesitan del turismo tanto cuanto el turismo necesita de los museos. Y ahí llegamos a una encrucijada, como conciliar las necesidades del turismo con las necesidades del museo?
La respuesta aunque obvia no es sencilla de ejecutar: A través de la planeación conjunta y intercambio de informaciones. Los museos pueden contribuir para transformar las excursiones en una experiencia enriquecedora, ofreciendo visitas diferenciadas para los diferentes grupos de turistas, orientando a los guías de turismo para que puedan montar “el clima” para cuando lleguen los actores en el escenario, etc. y los operadores de turismo pueden contribuir con los museos planeando los horarios de excursión para evitar atascos, retroalimentando los muesos con los resultados de encuestas, etc.
El turismo es, desde siempre, un importante medio de socializar la cultura, y en eso los museos, juegan un papel importantísimo.