Imagine desembarcar do avião no aeroporto para embarcar direto no hotel no mesmo aeroporto. Não, eu não me equivoquei, é embarcar mesmo já que o hotel é em um avião, que fica bem aterrissado na entrada do aeroporto de Arlanda, em Estocolmo, Suécia. O avião, um Boeing 747-200, construído em 1976 para Singapore Airlines, abriga o Jumbo Hostel, jumbo é o apelido dos 747. São 85 camas dividas por 25 quartos, um deles uma suíte instalada no antiga cabine de comando do avião com vista panorâmica do aeroporto.

Um bom sono sem turbulencias, mesmo com núvens pesadas no horizonte

Um bom sono sem turbulencias, mesmo com núvens pesadas no horizonte

Não fosse pelas janelinhas, até poderia ser confundido com um hotel convencional

Não fosse pelas janelinhas, até poderia ser confundido com um hotel convencional

Já na Costa Rica, um outro boeing, um 727 construído em 1965, abriga uma suíte do Hotel Costa Verde, . O boeing está pousado em um pedestal de 15m de altura, e aprece alçar voo da mata rumo ao mar. Hotel em avião é apenas um exemplo das novas esquisitices da arquitetura hoteleira

O velho 727 parece querer alçar voo.

O velho 727 parece querer alçar voo.

Tem janelinhas, mas também tem janelões (fotos do sítio do hotel)

Tem janelinhas, mas também tem janelões (fotos do sítio do hotel)

Imagine o seguinte, você se hospeda em um hotel e ao sair você pede a fatura e a recepcionista lhe pergunta quanto você quer pagar pelas diárias, a cena pode parecer estranha mas já é realidade, pelo menos por um período promocional nos hotéis Ibis de Portugal, promoção válida de 16 a 28 de fevereiro de 2009 para estadas de um pernoite e reservas via internet, e para o novíssimo Ibis Singapore on Becoolen , que tem um esquema de promoção diferenciado. A coisa do pague o que você quiser não é nova, há coisa de uns dois três anos a banda Radiohead lançou o seu álbum In Rainbows inicialmente para baixar pela internet no esquema pague o que você quiser, o resultado foi que o faturamento deste disco foi maior que o lançamento anterior, e quando o álbum se materializou em um CD vendeu 1.7 milhões de cópias Recentemente muito tem-se falado da inciativa do restaurante londrino Litle Bay que deixa para os clientes a decisão sobre quanto vale o prato, bebidas têm preço fixo, mas esta ação promocional que foi usada para driblar a crise economica já vinha sendo usado em outros restaurantes a exemplo do vienense Der Wiener Dewan de comida paquistanesa, do Lentilas Anithyng que tem três endereços em Melbourne, Austrália, ou o One World em Salt Lake City, ou ainda nos EUA o SAME (So All May Eat) Café, em Denver que além do mais deixa que o cliente especifique o tamanho da porção que ele quer comer. Pagar o que quiser é pagar o cliente acha que vale o serviço/produto, e nrmalmente se paga mais do que vale. No caso da hotelaria é uma proposta que pode ser apropriada porquanto o quarto de hotel que não foi vendido hoje não poderá ser vendido amanhã, e além do mais o hotel pode cobrir os custos operacionais vendendo café da manhã e outros serviços adicionais. É mais ou menos como as indústrias de impressoras fazem, cobram um valor baixo pela impressora para ganhar dinheiro com a venda de tintas.

É interessante como o turismo no Brasil ainda não conseguiu se apropriar da Internet e toda a gama de tecnologias que podem ser colocadas à disposição dos turistas. Se for para o setor público a coisa fica ainda pior, há estados turísticos cujo sítio de promoção virtual é de uma pobreza franciscana, com um design que lembra os primórdios da web.

É interessante como os profissionais que trabalham o marketing turístico, e mais especificamente a promoção, vivem a reclamar da falta de recursos para folheteria e participação em feiras e esquecem das tecnologias da informação.

Quem esteve antenado nos noticiários durante o ano que finda deve ter se apercebido que o avanço de Barack Obama, até a sua vitória, deveu-se em parte ao uso que foi feito das mídias sociais. O Turismo não pode ficar distante desta realidade, mas não adianta disponibilizar mil e uma tecnologias, estar atento aos diversos canais de mídias se falta a interação, se uma simples mensagem enviada por correio eletrônico é ignorada ou respondida com atraso.

Hoje, antes de planejar a viagem muitas pessoas consultam não somente os sítios específicos relacionados ao destino, mas, também, blogs, e sítios em que pode pedir ou consultar a opinião de pessoas que já estiveram em determinados locais. Um exemplo recém chegado ao Brasil é o Qype, uma comunidade virtual na qual as pessoas compartilham resenhas sobre lugares que visitaram.

Trabalha com mídias sociais exige uma grande capacidade de absorção de novas tecnologias, estar antenado com as mudanças que ocorrem, mas também um profundo conhecimento do produto, implicando em saber perfeita quem é o seu público e a “língua” que ele fala em cada uma das mídias.

Abu Dhabi é o mais rico, dentre os ricos 7 Emirados Árabes Unidos, dos quais Dubai é o mais falado em termos de desenvolvimento turístico. Agora Abu Dhabi também entrou na briga para captar turistas, mas não qualquer turista, sim aqueles viajantes que buscam um destino luxuoso. A meta estabelecida pelo órgão Oficial de Turismo do Emirado, que foi criado somente em 2004, é atingir em 2015 a meta de 3 milhões de turistas por ano, para tanto eles estruturaram um projeto que também conta com a construção de equipamentos hoteleiros de alto luxo, a exemplo do Abu Dhabi Sky Bridge Hotel.

Serão 264 apartamentos, entre 80 e 100m², e 40 suítes com 250m². O centro de convenções ocupará uma área de 5.000m², enquanto a área comercial será de 3.500m². Para os restaurantes estão reservados 2.600m², área muito inferior à do lobby, que terá 4.250m², ou 10800m³ de volume. O estacionamento terá vaga para 1600 carros, distribuídos por 4 andares. Impressionou? Então veja as imagens do projeto.

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Visão aérea da localização do projeto

O projeto em uma visão lateral

O projeto em uma visão lateral

OS vários arcos marcam o projeto

OS vários arcos marcam o projeto

Como ficará a noite. Será um Zeppelin prateado?

Como ficará a noite. Será um Zeppelin prateado?

Também terá heliporto

Também terá heliporto

As palmeiras margeiam o passeio, uma espécie de bulevard para pedestres.

As palmeiras margeiam o passeio, uma espécie de bulevard para pedestres.

Celular pomegranate

Celular pomegranate

Se você babou com as funcionalidades do iPhone imagina agora um celular que faz, como se diz por aqui, de um tudo. Para início de conversa é um poderoso tradutor de voz, em todos os idiomas, é um mini projetor, também é moedor de café, barbeador, gaita de boca, e ainda por cima faz chamadas. Incrível é pouco, mas incrível mesmo quando se sabe que esta é uma ação de Marketing para promover a província canadense da Nova Escócia, uma ação cara, aliás, caríssima, 300 mil dólares.

Mas o que sentido tem falar sobre tecnologia de celular em um blog de turismo?

É que a idéia por traz desta ação é divulgar a província canadense como um destino multisegmentado. “Algum dia, você poderá ter tudo o que quer em uma ferramenta. Hoje, você pode ter tudo em um lugar”

A ação vem causando uma grande polêmica, pelos custos e por não haver conexão do microsite com o sítio de turismo da Nova Escócia, mas o fato é que ao rir muito além da formula panfleto, cd-rom os marketeiros colocaram a província canadense no mapa.

Ficou curioso, clique aqui.

Há pouco tempo quando se pensava em turismo logo se vinha à mente pessoas vestindo o chamado uniforme de turista, estranhas roupas coloridas e esquisitamente combinando meias com chinelas, bermudas e um indefectível chapeuzinho, como crachá a máquina fotográfica para fotografar e fazer-se fotografar a torto e a direito, tendo qualquer coisa como motivo para fotografia, principalmente o exótico e o estranho, sob o ponto de vista do olhar forâneo, é claro.

Na verdade não houve uma mudança substancial do quadro, muitos ainda continuam a usar o velho uniforme de turista e a fotografar compulsivamente, principalmente agora com as câmaras digitais. Entretanto houve uma mudança de foco, e o turismo, ou especificamente o turismo cultural, não se preocupa tão somente com a visita a museus e a locais de festas folclóricas, o turismo voltou-se para a descoberta da realidade das comunidades visitadas, quanto mais desprovida de maquiagem, mais autentica, melhor.

Vivendo-se a era da experiência, a era da emoção, esta nova concepção de turismo cultural, que alguns colocam na vertente de turismo étnico e turismo social, é, para utilizar uma palavra de moda, costumisado, feito sobre medida para os visitantes, diferentemente do turismo fordista, que iguala todas as cidades. Todas as praias ficam tão parecidas com seus invariáveis quiosques cobertos de palha e coqueiros tão espontaneamente plantados que lembram filmes de Carmem Miranda.

O que o turismo cultural hoje oferece é uma viagem ao interior, não a um interior físico, mas ao interior das pessoas, o conhecimento da alma e do sentido daqueles que dão vida ao lugar, por esta razão a construção de ambientes pasteurizados não combina com esta modalidade turística, fazer isto é matar “a galinha dos ovos de ouro”, é concepção errônea daqueles que ainda não assimilaram o verdadeiro significado de “desenvolvimento sustentável”, conceito tão repetido e, infelizmente tão pouco compreendido.

Muito mais que o seu patrimônio natural, Sergipe tem a oferecer a quem nos visita o seu patrimônio cultural, e o turista descobre maravilhado que São Cristóvão não existe só em sua monumentalidade, mas também no sabor de sua queijadinha; que Laranjeiras; é multicolorida, por seu folclore; que em Pirambu as ondas se movem ao ritmo do Ilariô, que na região do Canyon de Xingó ecoam o xaxado dos cangaceiros, e pelas caatingas vibram os aboiadores.

Esta concepção de turismo cultural que vai muito além dos monumentos é recente e é uma clara mostra que deve haver uma cumplicidade entre e cultura e turismo

Vez por outra alguém cai numa roubada, e o hotel não é bem aquilo que aparecia nas fotos da internet. Algumas vezes os quartos mais se assemelham a celas, pequenos e sem nenhuma comunicação com o mundo exterior. E se ainda houver os horários rígidos de portaria que faz com quem chegue mais tarde tenha que se cansar de chamar, o cenário fica ainda mais completo.

Mais se você ouvir falar que alguém ficou hospedado em uma prisão, não pense no cenário acima, a última moda no mundo hoteleiro é converter antigas prisões em hotéis que nem de longe lembram um ambiente carcerário.

Em Hensinque o Hotel Katajanokka, um quatro estrela da Best Western. Construído em 1837 com apenas 12 celas, que passaram para 164 em 1888. Quando do seu fechamento em 2002, era usado para pessoas aguardando julgamento.

Hospedar-se nele custa de 90 a 240 Euros por noite, em apartamento solteiro, se você optar por uma das três suítes luxo, com sauna como convém a um bom estabelecimento finlandês, o desembolso por noite ficará entre 250 e 440 Euros.

Em Praga, o Hotel Unitas, atualmente fechado para reforma, é um quatro estrelas que faz parte de um complexo que já abrigou celas da Polícia Secreta da antiga Tchecoslováquia, durante o regime comunista. No porão do complexo funciona o Art Prison Hostel , com quartos mais austeros, com até seis camas, e preços mais em conta.

Saindo do continente europeu, vamos encontrar na Austrália o The Old Jail, instalado na antiga prisão do estado da Austrália do Sul, que foi construída em 1866 e fechada em 1995. Contando com 27 apartamentos muito básicos, o edifício sofreu poucas intervenções para se transformar em hotel.

Na terra de Joana D’Arc a antiga prisão de Sainte Anne, também foi convertida em um quatro estrelas com 90 apartamentos. Localizado estrategicamente intra-muros de Avignon, próximo ao Palais dês Papes. Aliás a França, onde antes da Sainte Anne a penitenciária de Sainte-Claire já havia sido transformada em prisão, a tendência vai de vento em popa, pois outros dois estabelecimentos prisionais estão listados para se converter em hotel. Saint-Michel em Toulouse e Saint-Roch (Toulon)

Dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco, entretanto muita gente tem, ou acha que tem, um pouco de tudo, e pode opinar sobre qualquer assunto, e só porque viajam, alguns sem sair da sua sala, coisa muita fácil e tempos de internet, já se acham em condições de emitir opinião sobre como se deve fazer, ou não fazer para encher um destino de turistas.

Eis o primeiro pensamento generalizado, destino bom é aquele que atrai hordas de turistas. E para melhorar o discurso ainda dizem tem que ter turista se não, não é sustentável. Valei-me nossa Senhora das Malas Perdidas!!! Será que as pessoas sabem o que realmente é turismo sustentável???

Outra coisa e a promoção do destino. Todos acham que basta investir em folheteria, propaganda na TV, anúncios em revistas que o turista aparecerá, e por outro lado quem não fizer nada disto estará condenando à danação dos hotéis vazios.

Promoção é apenas, um dos “Pês” do Marketing, segundo a velha definição de Kotler. E pode ser feita de milhares de maneira, mas não funcionará se não tivermos um bom produto com um bom preço, se não conhecermos o nosso público e não soubermos a quem oferecer este produto.

Sempre que sou convidado para falar a alunos de algum curso de turismo eu repito um mantra. Para entender o turismo tem que ler muito além dos cadernos e revistas de turismo, Turismo é uma atividade multidisciplinar, portanto não se deve dispensar leitura sobre economia, sobre tecnologia, meio ambiente, etc.

Mas as pessoas continuam tentando avaliar o turismo a partir do número de pessoas de bermudas portando máquinas fotográficas que vêm nas ruas.

Sempre me pediram para escrever um livro sobre turismo ou cultura, como se isto fosse possível para quem, ao contrário de outras pessoas, não conhece nada sobre estes temas, tanto que precisa estudar continuamente, assinar jornais, boletins e revistas. Mas uma vez que esporadicamente tenho dado minhas contribuições a algumas publicações de “ôropa frança e bahia”, e eventualmente tendo alguns pensamentos e idéias despudoradamente copiados e apropriados sem se me dar o devido crédito, então porque não sistematizar melhor os meus escritos para, quem sabe, no futuro não ser o guia de uma viagem maior.

Publicando os meus pensamentos aqui ao menos terei mais duas testemunhas do que eu penso, mesmo que outros achem.

Turiscópio, é um neologismo equalquer semelhança com estetoscópio e periscópio não é mera coincidência. Skopos, no grego antigo, significa aquele que observa, vigia, guardião, protetor. Portanto turiscópio significa aquele que observa, vigia, guarda e protege o turismo. Ambicioso? Por que não?