TURISMO CULTURAL: VISITA AO INTERIOR DE UM POVO


Há pouco tempo quando se pensava em turismo logo se vinha à mente pessoas vestindo o chamado uniforme de turista, estranhas roupas coloridas e esquisitamente combinando meias com chinelas, bermudas e um indefectível chapeuzinho, como crachá a máquina fotográfica para fotografar e fazer-se fotografar a torto e a direito, tendo qualquer coisa como motivo para fotografia, principalmente o exótico e o estranho, sob o ponto de vista do olhar forâneo, é claro.

Na verdade não houve uma mudança substancial do quadro, muitos ainda continuam a usar o velho uniforme de turista e a fotografar compulsivamente, principalmente agora com as câmaras digitais. Entretanto houve uma mudança de foco, e o turismo, ou especificamente o turismo cultural, não se preocupa tão somente com a visita a museus e a locais de festas folclóricas, o turismo voltou-se para a descoberta da realidade das comunidades visitadas, quanto mais desprovida de maquiagem, mais autentica, melhor.

Vivendo-se a era da experiência, a era da emoção, esta nova concepção de turismo cultural, que alguns colocam na vertente de turismo étnico e turismo social, é, para utilizar uma palavra de moda, costumisado, feito sobre medida para os visitantes, diferentemente do turismo fordista, que iguala todas as cidades. Todas as praias ficam tão parecidas com seus invariáveis quiosques cobertos de palha e coqueiros tão espontaneamente plantados que lembram filmes de Carmem Miranda.

O que o turismo cultural hoje oferece é uma viagem ao interior, não a um interior físico, mas ao interior das pessoas, o conhecimento da alma e do sentido daqueles que dão vida ao lugar, por esta razão a construção de ambientes pasteurizados não combina com esta modalidade turística, fazer isto é matar “a galinha dos ovos de ouro”, é concepção errônea daqueles que ainda não assimilaram o verdadeiro significado de “desenvolvimento sustentável”, conceito tão repetido e, infelizmente tão pouco compreendido.

Muito mais que o seu patrimônio natural, Sergipe tem a oferecer a quem nos visita o seu patrimônio cultural, e o turista descobre maravilhado que São Cristóvão não existe só em sua monumentalidade, mas também no sabor de sua queijadinha; que Laranjeiras; é multicolorida, por seu folclore; que em Pirambu as ondas se movem ao ritmo do Ilariô, que na região do Canyon de Xingó ecoam o xaxado dos cangaceiros, e pelas caatingas vibram os aboiadores.

Esta concepção de turismo cultural que vai muito além dos monumentos é recente e é uma clara mostra que deve haver uma cumplicidade entre e cultura e turismo

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