Turismo, crise e resiliência.


Há alguns termos que surgem em um determinado setor e depois passam a ser adotados por vários outros, foi assim com sustentabilidade, e ultimamente tem sido assim com resiliência, termo oriundo da física e que segundo o Houaiss significa “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”, e que o mesmo dicionário registra em sentido figurado como “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”.
Hoje a resiliência é termo recorrente na administração, na economia e na psicologia, e nos tempos de crise esta capacidade tem sido posta em prática nas diversas empresas e organizações.

E por que esta questão é importante para o turismo? Simplesmente porque o setor está sobre dupla ameaça, a crise econômica e o vírus H1N1 que se alastra, apesar de, no que tange à crise econômica, ter sido um dos setores menos afetados.

Os destinos mais competitivos foram aqueles que deram respostas mais rápidas, para não perder, ou recobrar a sua competitividade. As medidas foram as mais variadas, desde estímulos fiscais e monetários, que vão de corte de impostos para os turistas e empresas turísticas, ao incentivo a novos empreendimentos, à reformulação da política de marketing passando pela ampliação das PPP’s para além das infraestruturas.

Todavia a chave para a resiliência no turismo está na criatividade e inovação, não adianta reagir com uma campanha de marketing se esta é baseada nos mesmos e desgastados modelos de sempre, a exemplo da inflexível dupla “participar de feiras” + “distribuir folheteria” (com as mesmas fotos de sempre). Quantas pessoas já haviam ouvido falar do estado australiano de Queensland antes da campanha “Melhor emprego do Mundo”? Na Áustria uma aldeia tirolesa promoveu neste verão europeu uma campanha em que o turista foi convidado a avaliar os restaurantes, hotéis e receptivos, pagando quanto achava que valia o produto ou serviço, aliás esta estratégia de pagar quanto vale também foi adotada por hotéis e restaurantes individualmente (ver post abaixo).

Se a curto e médio prazo as medidas fiscais, monetárias e de marketing aliadas à formação de PPP’s foram as medidas mais comumente tomadas pelos pelos diversos países como parte de pacotes de estímulos, por outro lado a aposta a longo prazo é na “economia verde”, com medidas que estimulem o desenvolvimento de uma indústria turística verde, comprometida, principalmente, com o baixo consumo de carbono e o uso de energias renováveis. (Tourism and Economic Stimulus – Initial Assessment , UNWTO, Madri, 2009). Mais uma vez a criatividade e a inovação terão que ser postas a favor do turismo. Necessariamente isto não significa o uso tão somente de tecnologias de ponta, mas, também de tecnologias sociais.

Utilizar a resiliência como uma metodologia no processo de planejamento exige mais do que nunca uma ação multidisciplinar, entretanto a chave está em ter no comando projeto profissionais com uma visão ampla e conhecimento transversal, pois não basta ter conhecimento que determinada tecnologia ou solução existe, têm que ser capaz de saber onde e como aplicá-la.

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