A Copa começa pelos quartos


Várias cidades brasileiras, e não só as 12 que serão sede, esperam ansiosamente a chegada de 2014 na esperança dos lucros que advirão do turismo proporcionado pela Copa do Mundo. Algumas, a exemplo de Aracaju, já saíram à frente anunciando a reforma, ou até mesmo construção, de um estádio de futebol, para que assim possa melhor se candidatar a hospedar algum selecionado nacional para fazer uma pré-temporada, ou mesmo utilizar a cidade como sub sede para facilitar os deslocamentos entre duas sede próximas, falta combinar com as federações nacionais esta logística.
Mas será que basta só reformar um estádio, muitas vezes sem observar todos os rígidos critérios de acessibilidade (avenidas circundantes), segurança (o que inclui um rápido escoamento do público e automóveis) e estrutura de transportes públicos? A resposta é não. É necessário desenvolver e ampliar a infraestrutura da cidade, especialmente no tocante à estrutura viária, transportes públicos, aeroporto, e principalmente ampliar a capacidade de hospedagem, que alguns tendem a minimizar porque se pode utilizar um esquema de “cama e café”, entretanto mesmo para isto se exigirá um planejamento.
Colocando em termos práticos, suponhamos que Futebolandia, nossa cidade candidata, disponha de 7 mil leitos, e normalmente no mês de junho tenha uma taxa de ocupação média em torno de 60%, isto significa que ela terá uma disponibilidade média de 2.800 leitos dia, isto é se cada pessoa ficasse somente um dia no destino, mas não é assim, então imaginemos que a taxa média de permanência seja de 2,5 dias, isto significa que a nossa cidade somente contará com pouco mais de 1700 leitos livres por dia, entretanto se considerarmos que na época do Mundial, caso esta cidade venha a hospedar alguma seleção, a taxa média de permanência poderá aumentar, reduzindo proporcionalmente o número de leitos disponíveis.
E o que teríamos que fazer, além de ter um estádio adequado às normas da Fifa, ou um resort com boas instalações desportivas, para Futebolândia reforce as suas pretensões de receber algum selecionado nacional? A resposta obvia é ampliar a capacidade de hospedagem, então considerando que em média o coronograma para a implantação de um novo hotel de médio e grande porte implica em seis meses para o projeto, dois anos para o licenciamentos e, a depender do tamanho, em torno de 18 meses para a construção esta cidade tem menos de uma ano para providenciar a ampliação de sua rede hoteleira. É lógico que os prazos variam para mais ou para menos dependendo da disponibilidade de lotes urbanos, o que facilita o licenciamento ambiental, da capacidade financeira dos investidores, facilitando ou diminuindo a necessidade do acesso aos créditos bancários.
Restam 4 anos e 9 meses para que as seleções comecem a chegar para a Copa do Mundo de 2014, o jogo já começou e não haverá prorrogação. Antes que alguém comente não adianta comparar com copas disputadas na Europa, onde as cidades, além de próximas são interligadas por uma eficiente estrutura de transportes e rodovias.
Então não vamos esquecer que o planejamento da Copa do Mundo deve começar pelos quartos de hotel.

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