ACHOLOGIA E CHUTOMETRIA


Eu acho...
Eu acho...

Se tem uma coisa que nós brasileiro sabemos fazer bem é emitir opinião sobre qualquer coisa, e nos meios de comunicação isto se torna um prodígio. Pessoas que, influenciadas pela retórica caetanista pensavam que o Haiti era aqui, se revelam profundas conhecedoras daquele abalado país da Ilha de Hispaniola, e com mais duas doses de vodka são até capazes de discorrer em francês “creole”.
Não importa qual seja o assunto sempre se tem uma opinião a dar, sempre aparece alguém para dizer eu acho que… e está aí uma verdadeira ciência brasileira, a achologia. O achismo invade tudo, da medicina à engenharia, nos esportes nem se fala.
Hoje assistindo aos telejornais vi, como costuma ocorrer, praticamente a mesma reportagem, sobre o mesmo tema, em distintos canais. Nos três, diferentes valores para um mesmo dado, no caso a ocupação hoteleira em Aracaju por conta da realização do Précaju. Os número oscilaram entre 80% e 100%, vinte pontos percentuais é uma bela diferença. Detalhe em nenhum momento foi citada a fonte dos dados. Em duas das reportagens os dois hotéis mostrados foram os mesmo, ambos localizados na Orla de Atalaia. Alguém consultou os hotéis que estão mais afastados da Orla, e aqueles bravos que ainda resistem no Centro da Cidade para saber sua ocupação? Isto não é só achologia, é um grau mais avançado, também muito praticado na terra brasilis, a chutometria.
Mas este é um problema típico do Brasil, fazer turismo sem planejamento, sem conhecer os dados que balizem a ação. As pesquisas quando se faz não há a mínima preocupação em se desenhar uma amostra, ao contrário dá-se “Graças a Deus” por encontrar quem queira responder os longos questionários.
Se um destino está com problemas 20 em cada 10 pessoas vão se pronunciar que é necessária mais promoção. E se gasta dinheiro em fampress, mídias diversas, feiras, etc. Muito dinheiro para pouco resultado. Nenhum outro segmento da economia se promove do modo que o turismo o faz, qualquer um sempre antes de lançar um novo produto ou serviço no mercado primeiro se abastece de dados sobre os possíveis clientes e sobre a necessidade aquele produto ou serviço, e só então inicia a promoção utilizando-se os meios e veículos adequados à clientela que se pretende atingir. No turismo ainda ocorre algo pior muitas vezes a promoção é feita quando o turista já decidiu para aonde vai nas férias, ou muito próximo do “evento turístico” que se quer promover.

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