O mais, o menos, o maior, o menor e o melhor.



Assistindo um quadro do Jornal Hoje, da Rede Globo, sobre destinos turísticos a repórter anuncia o a localidade de Alter do Chão, no Pará, como a mais bonita praia fluvial do mundo, segundo o jornal britânico The Guardian. Para mim aquilo soava novo, já havia ouvido que Alter era a praia mais bonita do Brasil, segundo o mesmo jornal, mas que agora era a mais bonita praia fluvial do nosso planeta terra, era algo para o “Super São Tomé” verificar.
Apelei para o Nosso Senhor das Consultas Cibernéticas, mais conhecido como Google, e como eu suspeitava tal título era um desdobramento do pseudotítulo da praia mais bonita do Brasil. Nada contra o Pará nada contra Alter, mas o título de praia mais bonita do Brasil é tão autentico quanto a cédula de 3 reais, e tudo isto por uma coisa muito comum no turismo a mania de ter a maior, a melhor, a menor, o menos, etc. Nem que para isto tenha que se inventar entidade certificadora
Recorra ao nosso oráculo cibernético e coloque a expressão “ar mais limpo do mundo” ou “melhor clima do mundo”, veja quantas cidades diferentes vão aparecer, especialmente na segunda e terceira posições, eu mesmo já estive em quatro cidades que se intitulavam como tendo o “terceiro, eram humildes, melhor clima do mundo” quando eu perguntava ao meu guia qual eram a 1ª e 2ª nunca se tinha a resposta, o melhor é o órgão que atestou tal fato, variava da UNESCO, que é o órgão da OUNU pra a Ciência, Cultura e Educação, e nenhum conexão tem com as questões climáticas, à própria NASA.
Recentemente a Revista Travel and Leisure publicou a lista das dez localidades com o ar mais limpo do mundo( http://www.travelandleisure.com/articles/the-worlds-cleanest-air ), entretanto antes tomou o cuidado de mostrar que aquela lista não era uma verdade absoluta posto que na medição da pureza do ar vários fatores deveriam ser levados em consideração, desde a localização da estação de medição, até a época em que as medições são realizadas. Também foi explicado que não se levou em consideração localidades, que indubitavelmente tinham um ar puro, mas eram remotas e sem infraestrutura turística, preferindo-se assim analisar as localidades que tivessem mais facilmente ao alcance do viajante.
Voltando a Alter do Chão, porque chamar de pseudotítulo a atribuição da Praia mais bonita do Brasil ou equivalente, porque simplesmente o the Guardian não classificou as praias , por posição, foi pedido a dez experts que nomeassem a sua praia favorita, ou seja cada praia citada é a favorita daquela pessoa consultada, na matéria inclusive eles colocam, se nós esquecemos a sua favorita gostaríamos de ouvir de você.
Entretanto duas coincidências contribuíram para disseminar o equivoco, o fato de Alter do Chão ter sido a primeira praia da listagem, e de Tom Phillips, correspondente do The Guardian no Brasil, que escolheu Alter ter aberto o seu comentário dizendo que a melhor praia, ele não fala na mais bonita, praia do Brasil não está no Ro de Janiero ou no ensolarado Nordeste, sequer na costa (Brazil’s best beach is not in Rio de Janeiro or the sun-bathed north-east. It’s not even on the coast.).
Bastou o Pará divulgar, que tinha, não a melhor praia do Brasil na opinião do correspondente do The Guardian, mas sim a mais bonita praia do Brasil, dizendo que era a opinião do próprio Jornal, para que outros destinos também divulgassem a sua classificação sem atentar que não havia uma, apesar de haver uma numeração, apenas para efeito de registrar que eram as Top 10 beaches.
1. Alter do Chao, Pará, indicada por Tom Phillips, Correspondente do The Guardian’s no Brasil
2. Fernando de Noronha, Douglas Vieira, jornalista de São Paulo
3. Praia do Toque, Alagoas Ricardo Freire, autor de 100 Praias Que Valem a Viagem
4. Taipus de Fora, Maraú peninsula, Bahia Conor O’Sullivan, fundador da Tatur Agência de Viagens
5. Caraiva, Bahia; Steven Chew, colaborador do Conde Nast Traveller
6. Arpoador, Rio de Janeiro, Gavin McOwan, Guardian Travel
7. Lopes Mendes, Ilha Grande, Rio de Janeiro; Nadia Nightingale, moradora do Rio de Janeiro
8 Praia da Fazenda, São Paulo; Simon Heyes, Latin American Travel Association
9 Bonete, São Paulo; Ariel Kostman, jornal Metro , São Paulo
10. Lagoinha do Leste, Florianópolis, Santa Catarina, Caio Capela, proprietário da Tucano House.

Agora que leram a lista completa agora respondam: Por que as praias da Bahia (4 e 5), Rio de Janeiro (6 e 7) e São Paulo (8 e 9) estão classificadas sequencialmente aos pares?
Por que dentre os experts convocados pelo jornal está uma pessoa simplesmente intitulada moradora do Rio? Por que um expert listaria Fernando de Noronha que não é uma praia, mas sim um arquipélago com ilhas que têm belas praias? Que outra paria indicaria o dono de uma pousada a não ser aquela em que está a sua pousada?
Só tenho reposta para o primeiro item, a ordem das praias obedece a ordem dos estados onde elas estão localizadas, no sentido Norte Sul, assim temos PA, PE, AL, BA, RJ, SP e SC, se fosse um jornal brasileiro provavelmente colocaria em ordem alfabética.

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4 comentários sobre “O mais, o menos, o maior, o menor e o melhor.

  1. hahha é mesmo uma confusao, é que algumas coisas ainda sao como antigamente, lembra da idade media, aonde nao parava de aparecer pedaços da cruz de cristo por todo o mundo, o milagre da multiplicaçao, mas como ninguem viajava muito e nao tinha internet pois quem ia ficar sabendo se era verdade ou nao?! agora já ta um pouco mais dificil…
    muito legal o post.

    abraço,
    Felipe alves

  2. Caro Warlisson, se você ler cuidadosamente o post verá que ele trata da mania que temos no turismo de inventar títulos, principalmente aqueles que são relativos a preferências pessoais. O mais bonito, o mais gostoso, a melhor, sem que haja nenhum instrumento e parâmetros cientificos, minha filha, que só tem 6 anos, dias destes filosofou dizendo “pai no mundo nada e bonito ou é feio, tudo depende de quem vê”. Para você e muita gente Alter do Chão é a mais bonita praia de água doce, para outro pode ser a Praia de Piaçabuçu, na Foz do São Francisco, por combinar dunas, rio e mar, ou a do Cabeço, na outra margem por combinar praia, igarapés e manguezais. É perigoso trabalhar com critérios pessoais no turismo, especialmente fazendo-se o comparativo com algo que não conhecemos toda a dimensão. Quantas praias fluvias existem no mundo? Quem visitou todas elas.
    Repito, nada contra Alter do Chão, tudo contra estas listas que se baseiam puramente em gostos pessoais.

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