SALÃO DE TURISMO, OU MAIS UMA FEIRA.


SALÃO DE TURISMO ou mais uma feira.

Idealizado como vitrine do Programa de Regionalização do Turismo Roteiros do Brasil (PRT), o Salão do Turismo – Roteiros do Brasil foi, tal qual o próprio programa, mudando o seu foco, a ponto de hoje, tal qual o que em princípio temia a ABAV, organizadora da então maior feira turística do Brasil, tornar-se mais uma feira com foco na comercialização.
O Programa de Regionalização do Turismo foi concebido com a ideia de revelar um outro Brasil, introduzir novos produtos, organizá-los para que fossem devidamente comercializados, rompia com o então PNMT, cujo foco estava na municipalização, e passava para a integração de produtos através da formatação de regiões turísticas, rotas e roteiros, e principal, organizava a atividade estimulava a gestão através da instâncias de governança, constituídas através da parceria entre os setores público e privado.
Se em alguns poucos estados o programa avançou e se consolidou em outros o programa continua patinando, em parte pelas mudanças das diretrizes iniciais do PRT.
Uma das primeiras diretrizes traçadas na implantação do programa foi que os interlocutores estaduais somente poderiam ser funcionários de carreira, evitando a descontinuidade por conta da instabilidade de ocupantes de cargos comissionados. Hoje já se admite que comissionados assumam o papel de interlocutor, e muitas vezes para preservar o seu instável feudo, estes centralizam as informações e decisões, fazendo com que a participação democrática seja apenas um verniz, e não o cerne das ações.
Outro ponto no qual houve significativa mudança foi a retirada das instâncias de governança do processo de aprovação de recursos do MTur para financiamento de projetos, eventos inclusive. O resultado mais visível é a proliferação de patrocínio a eventos que não tem nenhum importância para o calendário turístico sequer do município, e o surgimento de empresas e outras entidades que monopolizam a captação destes recursos.
Um último ponto, mas não o menos importante, e que não conclui de todo a análise, é o fato do MTur, como é bem comum no serviço público, não acompanhar o resultado de suas ações, especialmente o investimento em capacitação, uma pessoa, por exemplo, que foi treinada para ser multiplicador não é acompanhada para saber se realizou ou não a multiplicação dos conhecimentos adquiridos. Na descentralização de cursos, seminários, fóruns e oficinas,muitas vezes estes são realizados por realizar, para cumprir um calendário, tendo que se arrebanhar no próprio órgão local de turismo participantes, ou quando não tendo um número de participantes flutuante durante o próprio evento, seja por inadequação do púbico convidado, seja, por incompatibilidade do horário.
Se há algo que cresce e no salão, além da parte comercial, é o Núcleo de Conhecimentos, fortalece-se o estudo acadêmico do turismo, e aproxima a vetusta “Academia” do mercado, ou quase.
O salão, como o próprio PRT precisa ser revisto, e retomado, para voltar mostrar aquele Brasil oculto, e não aquele Brasil que já é vendido em qualquer agência de shopping center, talvez sim, ao mostrar o Brasil que não está no mapa, como um produto organizado, consigamos dar ao turismo a importância como setor econômico que ele tem, e deve ter.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s